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Uma quadra revelada das Centúrias *
ensaio
I
capa da
edição de Amesterdan
Uma quadra revelada das Centúrias *
Pierre Piobb, nascido na França em
1874, autor de diversos livros sobre simbolismo,hermetismo e magia foi um dos mais importantes autores do século passado no que ele próprio chamou de desocultação do oculto. Um de seus livros o que ele considerava seu trabalho de terceiro grau foi o estudo sobre as profecias de Michel Nostradamus, denominado O Segredo das Centúrias.
Resultado de uma série de conferências que ele realizou em 1927, na Sociedade
Teosófica em Paris, o livro publicado no Brasil seguiu o curso das obras que interessam aqueles que tem alguma ligação com o tema e depois foi esquecido nas prateleiras, mesmo quando da febre da entrada do novo milênio, quando autores de versões fantasiosas das Centúrias tiveram audiência internacional.
Mas se o estudo do Piobb não é a visão mais surpreendente que sofreu até agora as Centúrias, com certeza é mais importante. De forma geral os autores que afirmam traduzir os versos estranhos de Nostradamus, utilizam quatro tipos de abordagens: gramatical, astrológica, astronômica e criptográfica. O grande problema que se apresenta a qualquer um que tente utilizar uma destas chaves é a quase total falta de sentido ou da frase ou de uma palavra na frase. Mas isto não tem impedido aos tradutores de Nostradamus, se não há sentido busca-se um mais aproximado e, presto: _aí está a profecia! Assim tem-se associado nome de reis, rainhas, ditadores e acontecimentos já ocorridos que viriam corroborar os fatos desejados por estes profetas de fatos passados.
Se Pierre Piobb traduz os versos utilizando-se algumas vezes destas quatro chaves, segue numa direção diferente, observando que o sistema empregado por Nostradamus seria outro ou cronocosmográfico. Para Piobb, as Centúrias teriam origem em documentos hebraicos, oriundos do Egito, quando da fuga dos israelitas pelo deserto documentos antigos estabeleceram-lhe a base . O autor do Segredo das Centúrias pouco deixa transparecer sobre sentido total da obra de Nostradamus direcionando as profecias à história da França, baseado no método descoberto por ele nas Centúrias. Uma de suas observações importantes é ter em mãos uma edição baseada nas edições originais, pois existem aspectos gráficos colocados de forma proposital na obra que tem significados na interpretação da mesma e que apenas podem ser observados nestas edições.
Observa Piobb que
"para que a regra criptográfica se conservasse intacta através dos séculos, para que os eventuais interpoladores não possam descobrí-las, ele a deixa totalmente a mostra: escreve suas fórmulas em letras maiúsculas ou em caracteres itálicos, enumera todas letras para que não se faça confusão de números e coloca o exemplo e o protótipo como sobrescrito! Não existe nada mais ofuscante que a luz total..."
Os autores
Outra de suas afirmações é de que as Centúrias não foram escritas por Nostradamus e sim por um grupo de pessoas com o objetivo bem específico: servir de guia através do tempo para os iniciados de uma ordem esotérica a qual ele dá indícios em seu livro. Quem alguma vez por algum motivo resolveu tentar apenas ler ou encontrar sentido nas profecias ditas de Nostradamus, com certeza deve ter enfrentado uma barreira enorme no próprio texto, ele é desanimador, qualquer pesquisador mais apressado e mesmo aqueles que possuem alguma especialização encontram dificuldades de toda ordem para tentar penetrar no sentido das chamadas Profecias.
A extensão e complexidade das Centúrias dão razão a Piobb, não é o trabalho de apenas um homem, mas de vários, devotados a uma tarefa cujo sentido diria respeito a
eles e seus associados presentes e futuros, talvez, e só talvez, para a humanidade de forma indireta. A estes autores Nostradamus teria emprestado seu nome para servir de vínculo com a obra. As razões deste procedimento poderiam ser várias, entre elas, por ser integrante do grupo que a gerou ou apenas ele possuir condições de ter o seu nome divulgado, os outros poderiam ser participantes de algum clero (hebraico ou católico) ou ainda personagens do reinado cujos nomes não poderiam vir a público ligados a uma obra de tal categoria.
Não vamos esquecer que em 1540, estamos em plena idade média, antes da Reforma, a imprensa não tinha ainda 100 anos de existência e deveria haver raras casas impressoras.
A cultura era privilégio de poucos e a execução tipográfica desta obra teria que ser elaborada com a conivência de um grupo bem articulado, com recursos e com influência em vários setores da sociedade, para que obedecesse as necessárias condições de sigilo e eficácia em sua realização. Os integrantes deste grupo teriam que conhecer além do francês, língua em que aparentemente o texto foi redigido, mas também o latim e o hebraico. Primeiro teriam que escrevê-lo (ou transcrevê-lo) para uma língua comum e depois das necessárias revisões traduzi-lo para o sistema criptográfico adequado, ao alcance dos interessados no texto.
... e, é também verdade que um século após a primeira edição certas pessoas ainda conheciam muito bem a regra criptográfica de Nostradamus para poderem retificar as letras das palavras e a integridade dos versos... Se Piobb tem razão, apesar dele não dizer isto em seu livro, as Profecias seriam na realidade um conjunto de regras, rituais e/ou normas de comportamento para integrantes deste grupo, provavelmente, diante de acontecimentos sociais e políticos.
Mas ele, Pierre Piobb, poderia ser apenas mais um dos muitos autores que ousaram mexer no enigma das Centúrias, o maior e o mais complexo criptograma já criado pela mente humana, senão fosse pelo fato de justificar no início de seu estudo que recebeu do autor ou dos autores das Centúrias, o Legis Cautio, a caução legal para decifrar as centúrias.
A Revelação 400 Anos Depois
Vejamos o que diz o autor:
Legis Cautio Contra Ineptos Críticos
Qui legente hosce versus, maturè censunto:
Prophum vulgus et Inscium ne attrectato
Omnesque astrologi,Blenni, Barbari procul sunto.
Qui aliter facitis, ritè sacer esto!
No início da Centúria VII, como cabeçalho, Nostradamus escreveu esses quatro versos _os únicos em latim de toda a sua obra. Ele declara assim, segundo esse sobrescrito dar caução no sentido jurídico da palavra Cautio Legis para o caso de certas críticas. Cada um compreenderá o que deve compreender _ tanto o profano quanto os outros, cada um de acordo com sua respectiva evolução. Eu mesmo permaneci muito tempo sem perceber o verdadeiro sentido destes versos - e há mais de dois anos trabalhava diariamente sobre o misterioso texto do autor, quando consegui decifrar o enigma que lá estava há quase quatro séculos. Não obstante, creio que ainda não chegou o momento de desvendar este texto e, por enquanto, gostaria de considerar a quadra apenas no seu sentido literal... A quadra poderia ter no sentido literal, esta tradução:
Legis Cautio Contra Ineptos Críticos
Os que lerem estes versos
que pesem com zelo:
que o vulgo , os imbecis, os bárbaros e todos os astrólogos ,
não se aproximem deles.
E quem o fizer, que seja amaldiçoado.
* Texto integral no livro de contos O Teólogo do autor
Reg, Biblioteca Nacional -38237-581-397
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