|
|||||||
|
|
|
|||||
|
|
|||||||
|
marco celso huffell viola poemas
|
||
|
II
Retrato calado
O retrato na moldura esculpe no teu rosto a passagem no tempo o rosto suave e quieto abre tantas possibilidades que quedo mudo olhando os arbustos
secretos dos desertos que surgem do ruído suave das asas de um anjo desconhecido que vaga na Sephira do conhecimento. Vejo-te como um astrólogo não te veria, passeando descalça entre
as aléias de Ninívie, onde um charlatão que joga
cartas e ossos de pássaros num balcão sujo lê a tua sorte. E a cavalo partes entre corpos insepultos,
devorados por animais medonhos e ferozes. Todos sabemos quem somos palavra por palavra, gesto por gesto e teu retrato murmura arcanos, segredos
estranhos, bastões, espadas, anéis,
taças e moedas. Já estivemos juntos em quantas guerras? Já fugistes de mim no meio de um desfiladeiro, já fui teu juiz, algoz e
tua vítima sacrificado em cerimônia bárbara a teus deuses de sangue e
de nomes esquecidos. Vejo quantas vezes passastes por mim nas ruas repletas de desconhecidos e tuas roupas roçaram nas
minhas quando ambos olhavam para lugares opostos, remotos. Tudo passou, agora estou aqui frente a ti e a teu retrato cada qual mais verdadeiro e nem o tempo e nem o desvio da órbita
terrestre em direção a constelação
da Lira pode evitar este encontro depois de tantos e inumeráveis desencontros.
Uma quadra revelada das Centúrias * |
|
|
|
O livro Poemas para ler em voz alta pode ser encontrado através da editora editoraoffice@yahoo.com.br ou no site da Livraria Cultura |
|
|